Os Eco Speakers que Marcaram Este Web Summit 2018 (Parte 1)

Se não conseguiram bilhetes, não tiveram data ou não seguiram o programa deste Web Summit Lisboa 2018, não se preocupem: por mais robots sophias que tenham estado por lá, trazemos-te neste artigo os melhores speakers e talks com uma mensagem ecológica neste Web Summit 2018.

TIPA-Corp - “How we hacked plastic”

A fundadora da TIPA-Corp, Daphna Nissenbaum, apresentou como desenvolveu o conceito do seu “plástico” - um material que tem algumas das propriedades do plástico comum (transparência, flexibilidade e compatibilidade alimentar) com a excepção de ser completamente biodegradável e compostável em seis meses.

Esta speaker alertou ainda para o facto de a taxa de reciclagem de plástico ser 9% a nível mundial e de 75% destes serem descartáveis.

O material que usa nas embalagens Tipa-Corp não implica mudanças logísticas nos supermercados, as máquinas utilizadas e o tempo de prateleira (prazo de validade) são os mesmos, sendo, contudo, ligeiramente mais caro 0,01€ a 0,04€ por embalagem.

Ciclo de tratamento de embalagens de plástico Tipa Corp

Com 7 patentes aprovadas, já estão a contactar as grandes empresas de filme fino para abraçarem esta mudança global. A primeira geração de “plástico” só suporta alimentos secos ou com baixo teor de humidade, contudo, a segunda geração que será lançada no próximo ano poderá mesmo ser usada em garrafas de água.

Trabalharam em 2018 com o supermercado holandês Ekoplaza para os tornar o primeiro supermercado sem plástico convencional a nível mundial.

Com o boicote da China à importação de plástico, o foco da União Europeia na implementação da Economia Circular e a proibição de plásticos descartáveis em Portugal parecem ser passos certos rumo a um futuro mais sustentável.

Ana Salcedo - Zero Waste Lab 

Neste Web Summit 2018 a Ana Salcedo apresentou o seu projecto Zero Waste Lab, no qual pretende desenvolver soluções colaborativas para viver sem plástico.

Durante o tempo que esteve em palco falou-nos dos principais projectos que desenvolveu durante este ano e meio de existência, em várias frentes e coom diferentes parceiros:

  1. Educação e Sensibilização;

O projecto Oceanário de Lisboa pretende sensibilizar os estudantes para a preservação da vida marinha e para o uso de descartáveis que terminam no mar.

  1. Experimentação e Tecnologia;

O projecto PlasticOCircular realizado no Festival Boom, em Idanha-a-Nova, desafiou os festivaleiros a trazer lixo plástico de casa e transformá-lo em missangas para pulseiras, através de uma impressora 3D.

O projecto ECO WATER pretende evitar a produção massiva de garrafas descartáveis com o enchimento de garrafões com água filtrada em lojas do Pingo Doce. A Ana ressalvou ainda que esta não é a solução ideal, dado que é mais sustentável beber água da torneira e que, acrescentamos, é cerca de 10 vezes mais barato (segundo a DECO). ;)

  1. Alteração Societal.

Sensibilização da sociedade através da arte, com colaboração de Xico Gaivota - produzindo peças de arte através de plástico recolhido nos oceanos.

Tony Milikin (Anheuser-Busch InBev) - "Raising a glass to sustainability"

A produção de cerveja exige muitos recursos e atividades: desde água a  cevada, desde que esta é plantada, embalada e transportada.

A energia consumida é considerável pelo que, até 2025, a AB InBev se compromete a ter 100% de energia proveniente de fontes renováveis em toda a sua pegada energética interna, que se distribui por 10% em consumo elétrico direto, 33% para o embalamento e 25% só no transporte.

Desta forma a AB InBev, como maior consumidora mundial de embalagens, ao obrigar que as suas novas embalagens incorporem uma percentagem de material reciclado, obrigam os seus fornecedores a reaproveitar e a valorizar as embalagens que produzem.

Na energia, ao tratar as águas residuais, isolam hidrogénio, que depois usam para encher as células dos camiões a hidrogénio que já têm a circular, fazendo transportes com emissões zero de CO2.

Infográfico com os objectivos sustentáveis da AB InBev

“Sustainability is our business”, Tony Milikin.

Ao nível da inovação, apresentam anualmente os 100 desafios que a empresa atravessa, apoiando as startups e investigadores que se comprometam a resolvê-los.

Uma das aplicações mais justas que apoiam, é a BanQu, no qual é possível rastrear que percentagem foi dada a agricultores através de cripto-moedas, pagando um preço mais justo aos mesmos e diminuindo a influência de intermediários.

Por fim, Tony Milikin promoveu a ideia de que uma empresa que não ligue a sustentabilidade ao seu crescimento económico está condenada a falhar e que a AB InBev é um exemplo de que é possível fazer esta mudança mantendo um negócio rentável - em 2017 a AB InBev teve uma facturação de 60 biliões de dólares.

Esta foi a primeira parte da nossa selecção de eco speakers neste Web Summit Lisboa 2018. No próximo artigo iremos falar de mais alguns casos inspiradores que ouvimos pelo Web Summit, com a história da Patagonia e uma debate com Christiana Figueres, uma das grandes responsáveis pelo Acordo de Paris de 2015.

 

 

 

 

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