A economia (pouco) circular da nossa casa

No dia 24 de Maio estivemos na Figueira da Foz para perceber como é que as nossas casas podem ser mais sustentáveis.

A discussão centrou-se nos resíduos de construção e demolição, ou RCDs, e de que forma se pode fechar o ciclo e valorizá-los, sem os “varrer” para baixo do tapete… ou de um aterro.

Sessão Circularidade da Construção - Paulo MatosFonte: CAE

A indústria da construção é sustentável?

A sustentabilidade da indústria transformadora, como a da construção civil, consome muitos recursos e emite emissões de gases de efeito de estufa que expõe a sua insustentabilidade.

Quando olhamos para os números da construção na União Europeia o cenário é preocupante, sendo responsável por cerca de:

  • 50% do consumo de matérias-primas,

  • 50% da energia consumida

  • 30% dos resíduos produzidos

  • 40% de emissão de gases de efeito de estufa.

Fluxo de recursos da Construção Civil em Amesterdão - Metabolic

Contentores de Resíduos de Construção e Demolição

Entre os fatores que mais contribuem para a sua insustentabilidade encontramos a perda de propriedades dos seus materiais (como o betão quando reutilizado), um alto consumo de combustíveis fósseis dos seus equipamentos (ex.: camiões, retroescavadoras, etc.).

O (re)aproveitamento residual de 5% e baixa reciclabilidade destes materiais traduz-se em altas taxas de demolições e novas construções e numa baixa percentagem de reabilitação.

A construção pode ser circular?

A economia circular é um tema cada vez mais recorrente no nosso dia-a-dia, pela dimensão de responsabilidade ambiental e maior eficiência que proporciona às empresas.

Tentar fechar o ciclo da construção, reaproveitando os seus RCDs para reabilitar ou construir edifícios sustentáveis, parece ser um passo lógico. Contudo, essa não é a realidade da construção em Portugal.

Circularidade da Construção em PortugalAvaliação de Circularidade da Indústria da Construção Portuguesa - CCDR-LVT

Por cá, a construção é maioritariamente linear (98%) e o primeiro desafio passa por caracterizar os RCDs e encaminhá-los corretamente para poder reaproveitá-los no futuro!

Boas práticas de gestão de RCDs

Recebemos com agrado a compilação de legislação de RCDs disponibilizado pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA) aos passos seguros que algumas câmaras percorreram.

O primeiro exemplo foi a Figueira da Foz que só emite licença de construção após a simulação de produção (CMFF / Excel) de RCDs na reabilitação e baixou os impostos camarários para obras de reabilitação e distribuição de “Big Bags” em obras pequenas.

Reabilitação do Forte de Santa Catarina

Apesar de ter tido bons resultados como a reabilitação de 655 edifícios de 1907 devolutos, a diminuição da taxa de depósitos ilegais de RCDs em florestas, associada à passagem do furacão Leslie, contribui para uma taxa de 15% do global.

Em Ílhavo, a existência de um ecocentro e a coordenação com a GNR local permitiu uma melhor recolha e fiscalização de alguns empreiteiros menos conscientes.

Uma medida comum a ambas inclui a incorporação dos inertes de RCDs em valas e passeios, o que por sua vez promove a circularidade da construção.

Depósito Ilegal

E o que mais se pode fazer por uma construção verdadeiramente circular?

Com tantas iniciativas a decorrer torna-se difícil mostrá-las todas. Uma que merece destaque é a plataforma “Construção Circular”, que alia uma visão sistemática da gestão de RCDs com o conceito de desconstrução, apresentando-se como uma solução racional económica, social e ambiental.

Ao nível dos produtos, o CVR de Guimarães recolhe beatas de cigarro para as transformar no e-tijolo, pelo que se tiveres muitas beatas podes dar-lhes novo uso.

A ITECONS está a desenvolver um posto de transformação modular com cobertura e fachadas verdes, o NextStep.

Já a ELEVO pretende resolver o desafio circular com equipamentos que permitem o aproveitamento integral de pavimentos rodoviários.

Recicladora Wigen - Pavimentos RodoviáriosReciclagem a frio “in situ” de pavimentos rodoviários com recicladora Wirgen - Wirgen

Nas especificações técnicas, o LNEC disponibiliza no site da APA as regras que permitem uma correta incorporação de RCDs na construção ecológica e sustentável. Contudo, algumas delas têm já 20 anos e baixo grau de implementação.

Um dos motivos da sua baixa aplicação é a existência de soluções mais intensivas energeticamente, como por exemplo o recurso a areia de rios ou pedreiras, que são, à data, paradoxalmente mais baratas.

Especificações LNEC para utilização de materiais provenientes de RCDs Fonte: LNEC

O presidente da APA, Nuno Lacasta, reforçou que esta transição consolida-se em medidas como a obrigatoriedade de incorporação de 5% de RCDs em obras públicas (DL 178/2006), que pode aumentar brevemente para o dobro, e o aumento da taxa de deposição de RCDs em aterro.

Encerramento da sessão Circularidade da Construção - Nuno Lacasta Fonte: CAE

A pegada da nossa casa é muito grande, pelo que subscrevemos as palavras do Nuno Lacasta:

Só podemos culpar uma geração pelo o que está a acontecer.

A nossa...

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