Tu Podes Contribuir para a Mobilidade Sustentável

Já te deparaste com as centenas de trotinetes elétricas espalhadas por Lisboa? Ficaste com curiosidade por dar uma volta numa Gira? Ou já vais para o trabalho num veiculo de uma das várias empresas de car sharing que por cá andam?

São cada vez mais os que, a pensar nos desafios do futuro para a mobilidade urbana, criam soluções para uma deslocação mais sustentável. Mas, afinal, qual é a urgência em falar deste tema?

O que é a mobilidade sustentável?

Segundo o Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável, mobilidade sustentável é aquela que “satisfaz as necessidades da sociedade de circular livremente, comunicar, negociar e estabelecer relações sem sacrificar outros recursos ecológicos ou humanos essenciais”.

 A mobilidade sustentável corresponde a um modelo de organização do transporte humano com o mínimo impacto ambiental, segundo o Observador 

Mobilidade Sustentável - Bicicleta

Mas a definição não se fica por aqui. O conceito de mobilidade sustentável é muito amplo, sustentado por pilares como a urbanização, procura e financiamento de transportes públicos, acessibilidade e congestionamento, segurança nas estradas, alterações climáticas, sistemas de transporte inteligentes e bem estar das populações.

"Entram 370 mil veículos diariamente na capital portuguesa. Se todos estes veículos fossem elétricos, conseguíamos descarbonizar a cidade de Lisboa, mas não resolveríamos ainda o problema da mobilidade, em particular o problema do fluxo de trânsito.", João Peixoto (Centro de Computação Gráfica)

Mobilidade Sustentável - Trânsito

Porque é importante uma mobilidade sustentável?

Apesar de, por si só, não constituir um dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), a área dos transportes potencia de forma crítica o desenvolvimento económico e social necessário para alcançar estes objetivos.

Devido ao uso intensivo de combustíveis fósseis, que contribuem para emissões massivas de gases de efeito de estufa e aumento da poluição atmosférica, a mobilidade sustentável é indispensável para os ODS 7 (Energias Renováveis e Acessíveis) e ODS 3 (Saúde de Qualidade), assim como para os ODS 9 (Indústria, Inovação e Infraestruturas), ODS 11 (Cidades e Comunidades Sustentáveis) e ODS 13 (Ação Climática).

São também necessários sistemas de transporte sustentáveis ​​para garantir segurança alimentar (ODS 2 – Erradicar a Fome), acesso a escolas (ODS 4 – Educação de Qualidade) e postos de trabalho (ODS 5 – Igualdade de Género).

Mais diretamente, a mobilidade sustentável está relacionada com as metas de desenvolvimento sustentável 11.2 (sistemas de transporte seguros, acessíveis e sustentáveis ​​para todos) e 3.6 (reduzir o número de mortes e ferimentos em acidentes de trânsito).

Nem todas as notícias são boas...mas temos boas metas para os próximos anos

A mobilidade em veículos movidos a combustíveis fósseis é das principais causas das emissões de gases de efeito de estufa 

As emissões de gases de efeito de estufa prendem a energia solar na atmosfera terrestre, sobreaquecendo o planeta.

Nos últimos 150 anos, a temperatura global da Terra tem vindo a aumentar. Os especialistas afirmam que uma subida de 2 ºC (desde as temperaturas registadas na era pré-industrial) pode levar ao colapso.

Infografico riscos para o clima do aquecimento global

Para limitar o aumento a 1,5 ºC, a temperatura global terá de ser estabilizada nos próximos anos e cair para 50%, até 2050

O Global Mobility Report (GMR) de 2017 é considerado uma primeira tentativa de olhar de forma global para o setor dos transportes e perceber a sua contribuição para um futuro sustentável. Entre outros resultados o estudo indicou que:

  • Apesar de 54% da população mundial viver em áreas urbanas (dados de 2014), não existe acesso generalizado a transportes públicos adequados

  • Em 2010, mais de 180 mil mortes prematuras foram causadas por poluição atmosférica de veículos

  • Em 2009, o setor foi responsável por 23% de emissões de gases de efeito de estufa

  • Em 2006, por falta de acesso, cerca de um terço da população rural não se deslocava por vias ou serviços de transporte seguros e apropriados, uma tendência que se prevê que se mantenha

O que posso fazer pela mobilidade sustentável?

Só em Lisboa há mil e uma maneiras de te deslocares sem levares o carro atrás. Os meios de transporte públicos mais óbvios são o metro, os comboios, autocarros e elétricos, que cobrem grande parte da cidade.

Mobilidade Sustentável - Metro  Mobilidade Sustentável - Elétrico

Se já andas de transportes públicos, mas queres diminuir ainda mais a tua pegada ecológica, estes próximos meios são para ti. As viagens de bicicleta são espetaculares (quer leves a tua ou adiras a empresas de bike sharing, como a Gira). A Lime e a Voi têm também serviços de partilha de trotinetes, para os mais aventureiros.

Mobilidade Sustentável Ciclovia  Mobilidade Sustentável - Trotinetes

Preocupas-te com o planeta, mas não queres trocar o conforto de um carro? Não há problema! Se investir no teu próprio carro elétrico não está nos teus planos, experimenta os veículos de car sharing, como os da Emov ou DriveNow, no caso de preferires a agilidade de uma scooter, podes sempre dar uma oportunidade à eCooltra.

Mobilidade Sustentável - Carro Elétrico Tesla Mobilidade Sustentável - Car Sharing 

Diminuir o número de viagens de avião que fazes é outra das opções viáveis - o sector da aviação é responsável por 5% da poluição climática global, emitindo para a atmosfera, todos os anos, cerca de 676 milhões de toneladas de CO2, entre tantos outros gases poluentes resultantes da combustão do querosene.

Apesar de menos de 18% da população mundial ter entrado num avião, prevê-se que a procura duplique nas próximas décadas, levando a excessivas emissões de carbono. Se não controladas, as emissões da indústria aeronáutica podem atingir mais de 25% das que “podemos” emanar em 2050, GMR 2017.

Algumas empresas permitem aos clientes comprar compensações de carbono ou doar milhas para a compra de compensações de carbono.

Podes inclusive apoiar a mobilidade sustentável, através de serviços de estafeta de bicicletas, como a Camisola Amarela.

Para desenvolvermos uma mobilidade urbana sustentável é precisa uma mudança de mentalidade. Temos de deixar de dar prioridade a meios de transporte com intensas emissões de carbono e estar abertos a soluções mais sustentáveis, como o uso de ciclovias, veículos elétricos e rodoviários, ou a adoção de iniciativas como as de car sharing.

O mundo, tal como o conhecemos, está a mudar. A organização das nossas cidades está a mudar com ele. Queres ter acesso a locais sustentáveis e atrativos para viver e trabalhar?

Cabe a cada cidadão, juntamente com os governos, as organizações e empresas inovadoras, diminuir as emissões de carbono das nossas cidades. Tu podes fazer a diferença. Aceitas o desafio?

2 comentários

  • Boa tarde, JGouveia. Muito obrigada pelo teu comentário. De facto, nós centrámo-nos na cidade de Lisboa para este artigo, mas existem inúmeras alternativas noutros pontos do país.

    Relativamente a bikesharing, a BeÁgueda (tal como o nome indica, operacional em Águeda) tem um serviço de partilha de bicicletas elétricas. Existem iniciativas para estudantes universitários, como a U-Bike (em várias instituições de ensino desde o norte ao sul do país) ou a Bira (em Viana do Castelo, Ponte de Lima, Valença e Melgaço).
    O Voltas (Vila Nova de Famalicão) ou o Caetano e.City Gold (Guimarães) são alguns exemplos de autocarros sustentáveis que começam cada vez mais a aparecer.

    Se quiseres conhecer outras inovações na modalidade sustentável, podes ler o nosso artigo “7 exemplos de como a bicicleta está a revolucionar a Mobilidade Urbana” em https://planetiers.com/blogs/news/7-exemplos-de-como-a-bicicleta-esta-a-revolucionar-a-mobilidade-urbana ou enviar um mail para blog@planetiers.com.

    Obrigada pelo feedback. Estamos sempre à procura de pessoas interessadas. :)

    Planetiers Team
  • Os exemplos apresentados são realmente interessantes e é bom ver o desenvolvimento de negócios que potenciem o desenvolvimento e variabilidade da Mobilidade Sustentável Portuguesa. Só tenho pena que todos os exemplos que não conhecia, cujo link eu abri, operem apenas em Lisboa. Teria sido interessante ver exemplos doutras partes do país (não necessariamente o Porto).
    A falta de transportes públicos de qualidade e acessíveis em zonas mais interiores, pequenas, fora de Lisboa, Porto e outras cidades mais desenvolvidas, deixa poucas opções a quem trabalha nessas cidades. Muitos só conseguem vir de carro, causando os transtornos nas vias que vemos todos os dias nas vias de manhã e à tarde. Isto traz mais poluição, mais acidentes rodoviários e mais problemas de saúde.
    Não queiramos seguir os maus exemplos da política portuguesa, é preciso descentralizar esta concentração de alternativas sustentáveis em Lisboa/Porto e pensar nas necessidades gerais das regiões portuguesas. Qualquer empresa que consiga estudar estas necessidades, conseguir focar-se numa ou mais em particular e apresentar uma solução viável, terá sucesso facilmente porque não há concorrência..

    JGouveia

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