12 Meses a Desplastificar - Marta Pelo Mundo


Quando me entusiasmo com uma ideia, ela toma conta de mim. Agarro-me a ela e funciono mais ou menos como um vulcão, ou é a sério ou não é, e levo tudo à frente. Depois acalma. Mas até lá dedico-lhe toda a minha energia.
Foi com esta mesma força que o Desperdício Zero entrou na minha vida, há cerca de um ano. A diferença deste percurso face a outros é que a tomada de consciência do impacto que os nossos actos enquanto consumidores têm no nosso habitat é tal, que não há volta atrás. Sem precisar de recuar muitos anos, a ideia de que todas as chupetas, fraldas, cotonetes, palhinhas, entre tantos outros objectos, ainda pairarem por aí, é aterradora.
Um dia-a-dia menos plastificado - Palhinhas - Embalagens Plástico
E a minha motivação alimenta-se dessa ideia. Partilhar a minha experiência contigo é parte desse compromisso de não querer baixar os braços.
Esta minha forma de estar fez com que boa parte das mudanças mais radicais que fiz tenham acontecido logo de início. Mas não o fiz de forma leviana. Cada mudança que fiz foi pensada, estudada, e as alternativas e custos ponderados.
Tive o melhor dos guias: o livro Zero Waste Home, da Bea Johnson, a guru do Desperdício Zero. Fácil que é de ler, duma forma muito pragmática comecei a cada página a testar e adaptar as soluções que entendia adaptarem-se a mim e à minha família (com mais um graúdo e duas pequeninas).
Zero Waste - Bea Jonhson - Editorial Presença
Desde logo decidi que não era o momento de fazer a minha pasta dos dentes, desodorizante ou detergentes. Considero não ter conhecimentos sobre os produtos necessários e respectiva combinação para me aventurar em poções mágicas caseiras (ainda que simples) ou a comprar pacotes de ingredientes para fazer doses pequenas de produtos que ainda tardam alguns meses a serem consumidos.
Num abrir e fechar de olhos dei grande parte do meu guarda-roupa, utensílios de cozinha e brinquedos, passei a levar o meu lixo orgânico a uma horta da zona. Já comprava a granel, apenas passei a levar os meus frascos em vez de usar sacos de papel. Os meus produtos de higiene pessoal passaram a ser de versão sólida e natural, embora para tal tenha procurado e experimentado marcas, de preferência nacionais, que me inspirassem confiança.
Comprar a Granel - Frascos de Vidro
E sim, dediquei uma boa quantidade de tempo ao tema. E apesar de tudo, ainda tenho caixote do lixo, mas a sua utilização e a necessidade de o despejar reduziu drasticamente.
Há contas que ainda estou a apurar e naturalmente que a experiência, orçamento e hábitos de consumo de cada um vai ser diferente. Alguns exemplos:
  • Uma bebida (leite) embalada de amêndoa não custa menos de 2€. A versão caseira mais cara é, já que o preço mais acessível que encontrei de amêndoa ao peso foi de 11,36€ o kilo, e um litro de leite precisa de 250g.
  • No Jumbo, o café a granel (sem ser biológico) é mais caro que o embalado da mesma marca!
  • Já a aveia biológica a granel é mais barata que a marca económica do Continente.

Leite de Amêndia - Aveia

E é também aqui que, através da lei das compensações, entra um dos benefícios mais nobres e impactantes desta causa, o facto de assentar numa filosofia de vida bem menos consumista, mais minimalista, que promove a reutilização, e a compra só mesmo quando necessário. E quando é esse o caso, promove a satisfação das nossas necessidades no mercado em 2ª mão para evitar novos desperdícios.
Acalmar o meu espírito consumista foi das mais importantes mudanças que aconteceram na minha vida. Pensar duas vezes antes de comprar. E chegar à conclusão que no fundo não preciso mesmo daquela roupa ou objecto. E a humildade de entrar em contacto com um grupo de pessoas alargado que estão bem mais avançadas na implementação desta causa.
Pequenas Mudanças no Dia-a-Dia
À medida que fui espalhando a “boa nova” comecei a ter esta reação estranha à minha volta de ter pessoas a dizerem-me que é pena que não haja mais pessoas como eu (olha o elogio 😉), outras a mandarem-me links e noticias porque se tinham lembrado de mim ao verem qualquer coisa em que o tema fosse o plástico. E penso eu para com os meus botões, porque é que a poluição dos Oceanos é um tema que não lhes diz respeito?
Algumas escolhas correram mal… uma passagem pelo no-poo (muito resumidamente, lavar o cabelo só com água) quase me obrigou a ficar em casa tal era o meu aspecto. Poderia até ter resultado, mas assustei-me e optei por um shampoo 100% natural. E depois outro, e finalmente outro. Nas primeiras escolhas também esta transição foi algo traumática, ora o meu cabelo virava palha ora empapado.
Sabão e Champô Sólidos - Desplasticar - 0% Microplásticos
Se me esqueço de pedir um sumo sem palhinha, lá vem ela com a dita e uma vez aberta, não pode ser reutilizada. E num outro país, na falta de água potável, bebi água engarrafada (e custou-me tanto ).
Vou espalhando palhinhas metálicas pelas minhas amigas com filhos. Faço “lobbying” junto da escola das minhas filhas para que a desplastificação seja levada a sério. Em cada ocasião de consumo em que tenho de fazer uma escolha, faço dela um statement e entendo que desta forma estou a passar a mensagem. Momentos há em que acho que me torno muito chata…
Nem sempre nego um gelado embalado às minhas filhas. E basta uma semana com a minha sogra em minha casa para de repente ter mais sacos de plástico ou comida embalada do que tive nos últimos 12 meses. Ou uma tarde com a minha mãe para as minhas filhas virem com o pão embalado, as bolachinhas de pacote e o pacotinho de sumo. E não, não digo nada. Disse uma ou duas ou três ou quatro vezes e não digo mais. E engulo.
Garrafa Água Reutilizável - Aço Inoxidáxel - Marta Pelo Mundo
No outro dia estive na praia a brincar com as minhas filhas. E comentei, por duas vezes, que para a próxima tínhamos mesmo de trazer um saco grande para apanhar o lixo. De regresso a casa passamos por uma daquelas “casotas” com sacos para apanhar os dejetos dos cães. Sem eu dar por ela, a minha filha de 4 anos pegou em 3 e disse “já temos aqui sacos para apanhar o lixo da praia mamã”. Numa outra ocasião disse à professora que, das garrafas de todos os seus coleguinhas, a metálica era a melhor. A minha filha de 7 anos pediu-me desculpa por ter comprado uma garrafa de água.
E esta sensação incrível de estar a educar pelo exemplo e, acima de tudo, de conseguir passar a mensagem a quem de direito, às (minhas) gerações futuras, vale tudo!
 

MARTA PELO MUNDO

A Marta escreve sobre as escolhas que faz no dia-a-dia e viagens familiares no seu compromisso com o desafio "desperdício zero". Se quiseres conhecer as opções da Marta no dia-a-dia segue-a no seu Blog ou redes sociais.

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